A Origem

A Raça Preta é uma das mais antigas raças bovinas autóctones portuguesas, encontrando-se historicamente associada às charnecas do Ribatejo e do Alto Alentejo, onde, durante séculos, desempenhou um papel fundamental nos sistemas agrícolas tradicionais. A sua evolução está intimamente ligada ao denominado "Gado Charnequeiro do Sul do Tejo", designação que surge na literatura zootécnica a partir de meados do século XIX e que, posteriormente, deu origem às designações "Gado da Terra" e "Gado Preto".

Uma das primeiras descrições conhecidas destes bovinos encontra-se na obra L'Agricole Portugais, de Conde de Villa Maior (1875), onde são referidas as populações bovinas existentes nas charnecas do sul do Tejo e as suas características de rusticidade e adaptação ao meio.

Do ponto de vista filogenético, a Raça Preta integra o tronco bovino Negro Ibérico, partilhando uma origem ancestral com outras raças negras da Península Ibérica. Diversos autores referem que a sua formação resultou da influência de diferentes populações bovinas, entre as quais animais da antiga raça Transtagana (sub-raças Alentejana e Mertolenga), da raça Brava do Ribatejo e de raças espanholas como a Avileña, Morucha e Salmantina. Ao longo dos séculos, a seleção efetuada pelos criadores permitiu fixar as características que atualmente distinguem a Raça Preta.

Inicialmente utilizada como animal de trabalho devido à sua força, resistência e capacidade de adaptação a condições edafoclimáticas adversas, a Raça Preta foi progressivamente orientada para a produção de carne com a mecanização da agricultura. Apesar do declínio do efetivo ao longo do século XX, a criação da Associação de Criadores de Bovinos da Raça Preta e a implementação do Livro Genealógico permitiram preservar e valorizar este importante recurso genético nacional, hoje reconhecido pela sua rusticidade, eficiência em sistemas extensivos e elevada qualidade da carne.